Quilombo dos Palmares

 

No Brasil, desde o século 16, escravos fugiam do cativeiro imposto pelo domínio europeu. Os índios escravizados retornavam para suas tribos, mas os africanos, muito longe de casa, formavam comunidades conhecidas como quilombos. O Quilombo dos Palmares foi o maior deles.

Por volta do início do século 17, durante a União Ibérica, escravos fugidos de engenhos de Pernambuco estabeleceram-se na Serra da Barriga, atual Estado de Alagoas. A região, com muitas palmeiras, foi chamada de Palmares. Tornou-se um dos mais notáveis exemplos da resistência negra, na América. Foi atacado diversas vezes, mas resistiu bravamente por quase um século.

Palmares não era o paraíso da liberdade como muitos supõem. Era uma monarquia que aceitava escravidão. Embora os escravos fugidos fossem bem vindos para trabalhar em prol da comunidade.

Atualmente, o Zumbi, o último rei dos Palmares, tornou-se um herói mitológico, diferente do Zumbi histórico.

 

Zumbi Palmares

 

Esta é uma ilustração do livro de Caspar Barlaeus, publicado em 1647. Segundo pesquisadores do Iphan (Patrimônio Arqueológico e Paleontológico de Alagoas, 2012), esta é a única ilustração contemporânea do Quilombo dos Palmares.

 

Com o tempo, Palmares foi crescendo, mais escravos buscavam refúgio. O domínio holandês, no Nordeste, em partes da primeira metade do século 17, até 1654, facilitou a fuga de escravos, apesar de que os holandeses mantiveram a escravidão. Essa fuga de escravos acentuou-se nos períodos de luta entre o domínio ibérico e o holandês.

Tem-se notícia de que também existiam índios e até alguns brancos em Palmares, que se expandiu em mocambos, como: Andalaquituche, Arotirene, Aqualtene, Amaro, Dambrabanga, Subupira, Tabocas e Zumbi. O Macaco era uma cidadela e a sede administrativa de Palmares.

Viviam da pesca, da pecuária e da agricultura, especialmente mandioca, feijão, milho e cana, além de pomares. O solo era fértil.

Os quilombolas dominavam a região dos Palmares, com táticas de guerrilha. Armadilhas eram deixadas pelo caminho. Os quilombolas também saqueavam fazendas e assaltavam viajantes. Trocavam mercadorias roubadas por armas e munições.

Os holandeses empreenderam algumas incursões para combatê-los. Em 1645, o capitão holandês Jan Blaer destruiu parte dos mocambos, depois de violentos combates, mas Palmares continuou. Blaer relatou essa expedição em seu Diário de Viagem (publicado, em 1902, na Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano), do qual nos deixa saber algumas características de Palmares da época, exemplo: "A 18 do dito [março], ganhamos o topo do referido monte, que era alto e íngreme, e sobre o qual encontramos água para beber; (...) em seguida chegamos ao velho Palmares que os negros haviam deixado há três anos, abandonando-o por ser um sítio muito insalubre e ali morrerem muitos dos seus; este Palmares tinha meia légua de comprido e duas portas (...)".

Desde 1656, Palmares foi liderado por Ganga Zumba. Em novembro de 1678, o Governador de Pernambuco, propôs a paz e a alforria dos nascidos em Palmares, mas os demais quilombolas deveriam ser entregues às autoridades. Esse acordo foi aceito por Ganga Zumba, mas houve oposição de seu sobrinho Zumbi. Com o apoio de seu grupo e dos quilombolas não prestigiados com o acordo, Zumbi assumiu a liderança de Palmares.

O historiador baiano Rocha Pitta, deixou, em sua Historia da America Portugueza (cerca de 1724), uma das poucas versões de um contemporâneo de Palmares. Pitta indica que existiam mais de 20 mil pessoas em Palmares, sendo dez mil capazes de pegar em armas.

Depois, cita que "Aos escravos que por vontade se lhes iam juntar, concediam viverem em liberdade; os que tomavam por força, ficavam cativos e podiam ser vendidos." Essa afirmação destrói o mito da liberdade para todos, em Palmares. Pitta ainda observa que informações sobre Palmares eram dadas por escravos que fugiam de lá e retornavam a seus donos.

A ideia de que Palmares mantinha seus próprios escravos não é estranha, pois também existia escravidão na África, pelos próprios africanos, dentro de nações africanas.

Por volta de 1690, os portugueses contrataram Domingos Jorge Velho para destruir Palmares. Jorge Velho seguiu com o exército comandado pelo capitão mor Bernardo Vieira de Mello.

Além do difícil relevo e da mata densa, o Macaco, a capital de Palmares, era protegido por uma paliçada dupla, erguida com os grossos troncos das árvores locais e cercada por um fosso. Existiam três grandes portões e plataformas. Uma verdadeira fortaleza.

Segundo Pitta, o palácio de Zumbi era toscamente suntuoso e casas de particulares eram magníficas ao seu modo. Existia uma torre de observação elevadíssima de onde se avistava grande parte da região. Fora da cidadela existiam grandes culturas de pomares e lavouras, e para guardá-las, fizeram outras pequenas povoações, chamadas de mocambos. Mas estavam abandonados quando o exército português chegou, pois os quilombolas já sabiam do cerco e abrigaram-se na cidadela do Macaco.

O exército cercou Macaco e tentou transpor a muralha com machados e escadas, mas eram rechaçados com armas de fogo, flechas, água fervendo e brasas. Os combates continuaram por muito tempo, até que o exército pediu reforços, alegando ser impossível romper a fortificação.

Os dois lados sofriam grandes perdas. A pólvora dos quilombolas acabou. A ração dos soldados também era limitada, mas pôde ser reabastecida e reforços militares chegaram.

O exército finalmente conseguiu romper a muralha, com sua pesada artilharia, e conquistar Palmares, em fevereiro de 1694. Alguns quilombolas suicidaram-se, outros fugiram, muitos foram mortos e muitos capturados voltando a ser escravos.

Zumbi conseguiu fugir, mas foi delatado por um companheiro e capturado. Zumbi foi morto, em 20 de novembro de 1695, e sua cabeça, exposta em praça pública, no Recife.

No fim do século 17, o Brasil era francamente lusitano. Os portugueses mandaram pras Guianas os invasores ingleses, holandeses e franceses. Após o exemplo de Palmares, os portugueses reforçaram o controle da fuga de escravos. Os capitães do mato caçavam escravos fugidos, com respaldo legal.

A resistência negra, entretanto, não cessou. Outro exemplo notável, por exemplo, foi o Levante dos Malês, em 1835, no Recôncavo Baiano. Além disso, o século 19 chegou com pressões abolicionistas. Em seus meados, houve um relaxamento, principalmente após a Guerra do Paraguay (1864 a 1870), quando muitos escravos tornaram-se voluntários da Pátria, em busca de alforria. Nessa época, muitos quilombos surgiram no sul do País. Existiram mais de 130 deles no Rio Grande do Sul e cerca de 100 no Paraná. A escravidão foi finalmente abolida no Brasil, em 13 de maio de 1888.

A data de 20 de novembro, quando Zumbi foi executado, foi instituída como o Dia da Consciência Negra.

Mais: o Brasil no século 17

 

Vista panorâmica do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas. É um parque temático sobre a cultura negra no Brasil. Algumas edificações e alegorias da época do histórico quilombo foram reconstruídas, como a casa de farinha, ocas indígenas e o terreiro das ervas.

Esse local, onde existiu o Quilombo dos Palmares, foi tombado pelo Iphan, em 1985. Desde os anos 1990, escavações arqueológicas na Serra da Barriga, tem ajudado a reconstruir a história dessa antiga comunidade negra. Em 2007, foi criado o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, pelo Ministério da Cultura, na gestão de Gilberto Gil. É administrado pela Fundação Cultural Palmares.

 

Capitão do mato. A profissão da caça de escravos fugidos espalhou-se pelo País. Muitos eram negros como mostra Rugendas, nesta ilustração de 1823.

 

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Monumento ao Zumbi dos Palmares, na Praça da Sé, em Salvador. A escultura em bronze, de 2,2 metros, assenta-se sobre uma base de mármore. A obra, inaugurada em 30 de maio de 2008, é da escultora baiana Márcia Magno.

 

Por Jonildo Bacelar

 

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